O que é confiança?

Por João Batista C. Sieczkowski

Sobre a confiabilidade. A ideia inicial defendida aqui é a de que a confiabilidade não pode ser compreendida epistemologicamente, mas apenas eticamente. De um ponto de vista ético, a confiança é própria de pessoas altruístas, e não de pessoas egoístas. Sendo assim, em primeiro lugar, é preciso dizer que a questão do significado de confiança poderia ser olhada como confiabilidade. A confiabilidade é a capacidade de confiar em alguém, por exemplo, em uma pessoa, ou seja, um cientista, ou em algo ou objeto de estudo, ou seja, a ciência, em uma informação, etc. A confiança é um sentimento de segurança ou firme convicção em relação a uma pessoa ou algo. Assim, a confiabilidade se refere ao que poderemos conquistar, enquanto que a confiança se refere a algo ou pessoa que já pode ser oferecido(a). Ainda sobre a definição de confiança, McLeod (2011) afirma que confiar pressupõe vulnerabilidade em relação à pessoa confiada. Quem confia pode ser traído. Isso pode ser correto até certo ponto. De certa forma, aquele que confia se expõem para algo ou pessoa em quem confia, mas poderia haver confiança sem haver exposição completa para aquilo (objeto) ou aquela (pessoa)? Não, não haveria como falar de confiança. Portanto, sem a vulnerabilidade de quem confia, não haverá confiança. Não há como confiar desconfiando. Um outro ponto, é o de que a confiança envolve riscos e que quando se racionaliza o ato de confiar, se perde a confiança. Há riscos quando se confia e isso mostra o quanto as pessoas ou coisas se tornam vulneráveis. Expor-se por completo envolve correr riscos. A tentativa de eliminar os riscos enfraquece a confiança. A racionalização da confiança significa a perda dessa confiança. Perde-se a capacidade de confiar (confiabilidade) ao racionalizar. E o ceticismo torna-se inevitável. Em Becker (1996), é apontado um critério importante para a confiança que é o seguinte: o confiante pode aceitar algum nível de risco ou vulnerabilidade. Ora, impor restrições de comportamento a quem confiamos ou a algo que confiamos, é confiar parcialmente. Assumir plenamente os riscos, ou seja, as consequências de confiar é o que eticamente chamaríamos de atitude altruísta. Impor critérios é racionalizar e racionalizar é perder a confiança, ou mais ainda, a confiabilidade. Os epistemólogos contemporâneos se limitam a fazer as suas racionalizações artificiais e postiças, descuidando-se dos aspectos sociais (políticos e econômicos) em suas abordagens. Aqui começa um outro ponto: a confiança social. Na sociedade, confiar em quem? Instituições religiosas (Igreja) ou laicas (Estado)? Em Ideologias de esquerda ou de direita? Nos Partidos políticos liberais ou socialistas? Como vimos, confiança é uma atitude altruísta, ou seja, uma atitude ética. É possível aplica-la na realidade? A confiança é uma atitude realista. Portanto, não é nem otimista e nem pessimista. O realismo da confiança é definido como admitir que certas coisas ou pessoas, uma vez que quebraram a confiança, não podem ser dignas de confiança. Neste sentido, é possível que instituições subordinadas a um sistema capitalista neoliberal, não sejam mais dignas de confiança. A questão, pois, seria outra: como reconstruir essas instituições? Como torna-las dignas de crédito (confiança)? A reconstrução das instituições pode se fazer eticamente, antes de tudo. Digo antes de tudo porque qualquer outra tentativa de reconstrução incidirá em fracasso, se o objetivo não for ético. E do ponto de vista ético, as justificativas de ações (do agir) incluem elementos que fogem ou escapam a qualquer análise racional ou analítica. É o caso de justificativas que envolvem a confiança social. Justificar ações éticas que são deontológicas. Essas ações envolvem sempre a intenção do agente social. E a intenção do agente social diz respeito a sua própria consciência, ou seja, há aqui uma interiorização. Ela irá se exteriorizar ou se materializar em uma ação e, por sua vez, uma vez materializada a ação do agente social, ela modificará a sua intenção futura.  

Referências

https://1library.org/article/confian%C3%A7a-cren%C3%A7a-voluntariedade-o-conceito-confian%C3%A7a-epistemologia-testemunho.1y99ejdy

https://conceito.de/confianca

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