Por João Batista C. Sieczkowski
A concepção de ética ambiental que faremos referência aqui é a de “Marxismo Ecológico”. Não há como desvincular a questão ecológica do contexto histórico. Por isso, é preciso perceber que a crise ambiental está vinculada ao sistema capitalista. Exemplos da crise ambiental são o aumento da poluição da água, do ar e do solo, assim como o desmatamento das áreas verdes remanescentes e o esgotamento de recursos naturais decorrentes da profunda exploração industrial. Todos estes problemas ambientais tiveram o seu desenvolvimento a partir da Revolução Industrial. Assim, a produção acelerada e o consumo exacerbado faze-nos entender a relação do capitalismo com a crise ambiental. O Marxismo Ecológico ou ecossocialismo foi elaborado a partir da obra de Marx. “Marx foi visto inicialmente como antiecológico, representando um marxismo produtivista, antropocêntrico e desinteressado pelo valor que a natureza pode oferecer” (FOLADORI, 2001, p.1). “Antes da década de 1970, sobretudo, era comum alegar que o marxismo depois de Marx e Engels contribuía pouco para a análise ecológica” (FOSTER, 2014, p.324). Refutando, assim, a ideia de que Marx não tenha expressado as contradições ecológicas em suas obras, autores como John Bellamy Foster, Alfred Schmidt e Elmar Altivater procuraram explorar as publicações marxistas existentes para delimitar, ainda que não unívocos em todos os entendimentos, o modo pelo qual Marx tratou a relação ecológica, seja correlacionando-a com as diversas teorias elaboradas pelo filósofo alemão ou, ainda, extraindo citações de suas obras em que a natureza é expressamente mencionada. A concepção materialista da natureza, a influência do materialismo histórico, o conceito de metabolismo entre sociedade e natureza, alienação do trabalho e alienação da natureza, são categorias importantes para entender a relação homem-natureza na obra de Marx. Especificamente, o conceito de natureza é importante, porque o termo ecologia não era usado na época de Marx. “A ecologia como ciência relacionada ao estudo da interação entre os organismos e seu meio externo foi um termo proposto em 1866, ou seja, contemporâneo a algumas obras de Karl Marx. Entretanto, somente se tornou relevante a partir dos anos de 1960, e, em 1973, adquiriu extrema importância após a crise na exploração de petróleo (CANTOR, 2007, p.99).” Contudo, é importante ressaltar que a categoria natureza possui alguns termos semelhantes na obra de Marx, a saber: “Além de “natureza”, podem ser encontrados os termos: “matéria”, “substância natural”, “coisa natural”, “terra”, “momentos existenciais objetivos do trabalho”, “condições objetivas” ou “concretas do trabalho” (SCHMIDT, 1977, p.24 e 25).” Nos Manuscritos de 1844, Marx considera a natureza como: “A natureza é o corpo inorgânico do homem; quer isso dizer a natureza excluindo o próprio corpo humano. Dizer que o homem vive da natureza significa que a natureza é o corpo dele, com o qual deve se manter em contínuo intercâmbio a fim de não morrer. A afirmação de que a vida física e mental do homem e a natureza são interdependentes, simplesmente significa ser a natureza interdependente consigo mesma, pois o homem é parte dela.” Há de se ressaltar aqui a ideia de metabolismo ou simbiose entre a natureza e o homem por meio da produção e a ideia de humanização como processo natural. Assim, temos as chaves do entendimento da obra de Marx e do Marxismo Ecológico.