Por João Batista C. Sieczkowski
INTRODUÇÃO: O CONTEXTO BRASILEIRO DE 1964-1985
O que é Marxismo Ecológico? Como surgiu? O que pretende como proposta prática?
Quem não lembra, e os mais velhos devem lembrar, da ditadura militar (1964-1985) no Brasil e que não foi só no Brasil, mas que se estendeu por toda a américa do sul e central? Eram ditadores na Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Peru, Bolívia, Guatemala, República Dominicana, etc. Pois, naquela época, houve um endividamento do Brasil com o FMI (Fundo Monetário Internacional), e o pagamento dessa dívida está na origem dos problemas ecológicos não só no Brasil, mas em toda América do Sul e Central. A ideia é a de que para pagar a dívida deveria se explorar os recursos naturais (minérios, principalmente) e deixar que países estrangeiros com empresas multinacionais entrassem aqui no Brasil e explorassem os recursos, deixando para trás um rastro de destruição: poluição do ar, destruição do solo, de florestas, matança da fauna e da flora, entre tantas outras coisas. “Como Soddy señala, el crecimiento monetario simplemente no es posible sin cierto nivel de explotación de los recursos agotables, explotación cuyo precio tendrá que ser pagado en el futuro”. Um exemplo bem concreto disso encontramos em Altvater (2005): “Las consecuencias podrían llegar a ser muy serias: inundación de la tierra costera, alteración de los climas y desplazamiento de las zonas de vegetación, tormentas más frecuentes como resultado de grandes diferencias de temperatura y trastocamiento de los patrones de migración ecológicamente determinados.” Por fim, ainda diz o mesmo autor: “En síntesis, la crisis de la deuda genera efectos ecológicos negativos, a la par que, la degradación de la naturaliza intensifica la crisis de la deuda.” A respeito da ditadura militar no Brasil e as questões ambientais ressalta Poener (2022): “A busca em protocolar as medidas pode ser explicada, ainda, pelo momento global do século. Em 1972, houve a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, em Estocolmo – o evento foi o impulso das Conferências das Partes (COPs) atuais. Era o epicentro de uma nova lógica ambiental, esboçando o que chamamos hoje de desenvolvimento sustentável. Nathália explica que tal demanda internacional não era compatível com o avanço da destruição amazônica que estava ocorrendo no país, entre outras políticas ambientais. “Quando lemos sobre Estocolmo, vemos que o Brasil teve uma ação anti-ambientalista, falando que a pobreza era a pior das poluições, que clima era problema de país rico. Reis Velloso [Ministro de Planejamento da ditadura] falava que aqui havia espaço para poluir e as empresas estrangeiras eram bem vindas. Isso era meio comum dos países à época chamados de terceiro mundo, de reivindicar o direito a se desenvolver”, lembra a historiadora. O problema, continua ela, é que o Estado era dependente de empréstimos externos, então a conferência sinalizava que financiamentos de grandes obras poderiam ser vetados ou reformulados caso o país não interferisse em sua agenda ambiental. Daí a criação de alguns órgãos institucionais, à época.”[1]
INÍCIO DO DEBATE SOBRE ECOLOGIA
O marxismo ecológico começou a surgir no cenário como um estudo de retorno as obras de Marx no final do século XX. Mais precisamente em 1988 com a fundação por James O’Connor, de uma revista, com o seu artigo intitulado Capitalismo, Natureza, Socialismo. Neste artigo, O’Connor defendeu a ideia de uma “segunda contradição do capitalismo”. Este artigo fará parte do seu livro de 2001: Causa naturais. Ensaios sobre marxismo ecológico. A primeira contradição é a conhecida lei geral absoluta da acumulação capitalista e a segunda contradição é a lei geral absoluta da degradação ou destruição ambiental pelo capitalismo. A segunda lei deriva da primeira. Citando O’Connor (2001): “es la contradicción entre las relaciones de producción y las fuerzas capitalistas, por un lado, y las condiciones de producción, por el otro”. E descreve o marxismo ecológico como: “Una visión marxista ecológica del capitalismo como sistema expuesto a las crisis se concentra em la forma en que el poder de las relaciones de producción y fuerzas productivas capitalistas, combinadas, se autodestruye al afectar o destruir sus propias condiciones, más que reproducirlas”[2]
Contudo, como diz Paul Burkett (2006):
el modelo de O’Connor no distingue las condiciones naturales requeridas para la producción capitalista de beneficios de aquellas necesidades para una producción ecológicamente sustentable que pueda dar soporte al desarrollo humano […] Como resultado, el modelo reduce la cuestión de la crisis ambiental a la crisis económica y pasa por alto la habilidad del capitalismo para reproducirse a sí mismo sobre la base del mantenimiento de actividades ambientalmente rentables que no revierten la degradación de la naturaleza desde una perspectiva coevolutiva de desarrollo humano[3]
Dois pontos hão de se destacar aqui em relação a crítica feita por Burkett: (a) O’Connor não diferencia as condições naturais para a produção capitalista das necessidades uma produção ecologicamente sustentável; (b) a crise ambiental é reduzida apenas a uma crise econômica, ou seja, não há em O’Connor uma proposta de reversão da destruição da natureza; (c) a perspectiva de coevolução não aparece em O’Connor.
CRISE AMBIENTAL
No O Capital diz Marx:
La emergencia de un tipo de civilización que tiene como eje motor la subordinación de los ciclos reproductivos de los seres humanos y el resto de la naturaleza a la producción ilimitada de valores de uso –com la única finalidad de acumular riqueza abstracta– implica, inexorablemente, el progresivo deterioro de los precários equilibrios del metabolismo social-natural, a lo cual llamó “fractura metabólica[4]
É preciso observar aqui o conceito de “falha metabólica” do capitalismo como sendo a inversão do processo civilizatório: subordinação dos seres humanos e da natureza a produção ilimitada de valores de uso, com o fim de gerar riqueza. Então, qual civilização podemos construir? Uma civilização em que a produção de valores de uso seja limitada e controlada pela relação entre seres humanos e a natureza.
Sobre a crise ambiental, diz Acosta (2016):
el capitalismo, en realidad se producen dos tipos de crisis ambientales
específicas, que si bien se encuentran articuladas, se despliegan en dos âmbitos diferentes: a) las crisis de rentabilidade provocadas por la escasez de las condiciones de producción para la acumulación; y b) las crisis de las condiciones naturales del desarrollo humano.[5]
Quanto a crise pelo aumento da acumulação do capital, diz Acosta (2016):
la reproducción ampliada del capital requiere de volúmenes de materia y energía mucho mayores de los que son capaces de regenerar los diversos ecosistemas de los cuales se apropia el capital.[6]
Segundo Burkett (2014): “La acumulación del capital es perturbada por la escasez de materias primas; matérias cuya oferta está grandemente limitada por las condiciones naturales.”
A solução capitalista defendida por Moore (2014), pretende salvar a acumulação a longo prazo, apesar da apropriação indevida da natureza:
Cada gran ciclo de acumulación de capital se desarrolló mediante un incremento significativo del excedente ecológico, lo que se manifestó en alimentos baratos, energía barata y factores de producción baratos. La creación de este excedente ecológico es medular para la acumulación a largo plazo. Existe una dialéctica entre la capacidad que tiene el capital de apropiarse de la naturaleza biofísica y social con un costo mínimo, y su tendencia inmanente hacia la capitalización de la reproducción de la fuerza de trabajo y de la naturaleza extra-humana[7]
Na verdade, essa solução demonstra a ginástica que o capitalismo faz para que a crise ambiental deste tipo seja relativizada. Como irá dizer Burkett (2014):
Para Marx, como sea, la acumulación de capital puede mantenerse por sí misma a través de las crisis ambientales. De hecho, esta es una cosa que hace al capitalismo diferente de las sociedades previas. Él tiene la capacidad de continuar con su patrón de acumulación guiado por la competencia y la ganancia a pesar del daño que esto hace a las condiciones naturales; daño que constantemente inflige sobre la fuerza natural de la fuerza de trabajo.[8]
Acosta (2016) passa a dizer algo sobre o segundo tipo de crise ambiental parafraseando Burkett quando este se refere a Marx:
Burkett identifica otra modalidad de crisis socioambientales, en este caso relacionadas no con la escasez de las condiciones de producción para la acumulación, sino con la degradación de las condiciones (sociales y ambientales), de reproducción de los seres humanos, em un único proceso en que se anudan la devastación de la naturaleza humana y extra humana… Marx vio este desarrollo como uma ruptura insostenible en la circulación de materia y energía requerida para la reproducción de los sistemas humano-naturales.[9]
Acosta (2016) preocupa-se com o segundo tipo de crise ambiental que trouxe a destruição das condições sociais e ambientais, de reprodução dos seres humanos:
creemos que esta segunda modalidad descrita por Burkett puede, a su vez, ser abordada desde uma triple perspectiva: a) como tendencia a la generalización de la superexplotación del trabajo en el mundo; b) como generalización del consumo masivo de productos de uso nocivos; c) como despojo y degradación progresiva de los médios de subsistencia de la humanidad.[10]
Em meio a tudo isso, abre-se uma janela, uma solução em perspectiva. O ecossocialismo se apresenta como um novo paradigma para nossa época. Ele reúne o marxismo/socialismo e a ecologia. Assim, o paradoxo entre os meios de produção capitalista em desenvolvimento e a destruição social e ambiental da humanidade e da natureza, passam pelo crivo do ecossocialismo:
Este nuevo paradigma sostiene que las aspiraciones de cada una de esas tradiciones no son incompatibles, sino que sólo pueden realizarse de forma conjunta. Para ser más claros: lo que plantea el ecosocialismo, en tanto discurso crítico, es la identidad sustancial entre el desarrollo del MPC y la devastación social y ambiental de la humanidad y el resto de la naturaleza; [11]
A questão chave perseguida pelos ecossocialistas é:
¿Cómo se puede transitar del actual estado de desequilibrios múltiples (inequidad en la distribución de las riquezas, mala repartición de la cantidad y la calidad del tiempo de trabajo y el tiempo libre entre las diferentes clases sociales, alteraciones radicales em los ciclos biogeoquímicos planetários hacia un estado de restablecimiento de dichos equilibrios? En breve: ¿Cómo podemos construir una sociedad mundial en donde esté garantizada la reproducción de la vida buena para la presente y para las futuras generaciones?[12]
Que sujeito é necessário para que haja essa transição? Quem pode levar adiante?
el proyecto ecosocialista supone, evidentemente, el despliegue de un sujeto social de carácter mundial con vocación revolucionaria. De alcance mundial, porque sólo en esa escala es posible construir una auténtica alternativa al (des)orden del capital; con vocación revolucionaria, porque no bastará con pequeñas o medianas reformas a la civilización del capital para garantizar que el proceso de transición llegará a buen término.
As relações de cooperação entre os seres humanos são fundamentais, pois possibilitam uma civilização mais humana:
y, en tanto programa político en construcción, la urgência de transitar hacia una nueva civilización basada en la generalización de relaciones sociales (económicas, políticas, culturales), de cooperación entre los seres humanos que nos permitan satisfacer nuestras necesidades materiales y espirituales, así como desarrollar libremente nuestras potencialidades creativas, sin poner en riesgo la supervivencia a largo plazo de la propia especie, ni la reproducción de los ecosistemas que le dan sustento al resto de la vida. [13]
Portanto, em um clima de cooperação, a riqueza deve ser entendida de maneira totalmente diferente do que vinha sendo entendida no capitalismo, ou seja, pelo modo de produção capitalista:
Es decir, el ecosocialismo apunta a la superación de la escasez (natural o socialmente producida), que ha marcado buena parte de la historia de la humanidad, para dar passo a una sociedad planetaria en donde lo dominante sea la riqueza pero; entendida de forma radicalmente diferente a como hoy se la piensa y se la persigue: no como acumulación y despilfarro de mercancías, sino como la entendía el Marx de los Grundrisse: “¿qué es la riqueza sino la universalidad de las necesidades, capacidades, goces, fuerzas productivas, etcétera, de los individuos, creada en el intercambio universal?[14]
Marxistas como O’Connor (2001) e David Harvey (2014) já adiantaram o que poderia acontecer: ameaças e desiquilíbrios ambientais. As ameaças econômicas, ou seja, do capitalismo como meio de produção, e os desequilíbrios ou desigualdades ecológicas respingariam sob toda a humanidade:
ya fue adelantado por O’Connor (2001) y otros marxistas como David Harvey (2014), acerca de
que el capitalismo implica no solo um desarrollo económico y social desequilibrado en términos geográficos, sino también un desarrollo ecológico desigual:[15]
mas muito mais nas populações mais desfavorecidas devido sua vulnerabilidade e fragilidade. Servem de mão de obra barata para o desenvolvimento do meio de produção capitalista:
en suma, la devastación del trabajo y de la naturaleza, no es idéntica en cada una de las regiones del planeta; tiende a concentrar sus efectos más nocivos en las periferias del sistema y, en forma análoga, a castigar más duramente em términos sociales y ambientales a sectores específicos de la población mundial: campesinos, pueblos originarios, pobres rurales y urbanos, migrantes, etcétera.[16]
Somente com reformas e sem a radicalidade do sistema socialista do séc. XIX, sem a atualização dessa proposta e, se falhar a solução ecossocialista, continuará o mesmo sistema de produção capitalista funcionando em regime de exploração e destruição. Em resumo:
el capital será capaz de reinventar sus mecanismos de explotación y dominación, incorporando aquí y allá algunas medidas de carácter remedial, pero sin abandonar nunca las dos fuentes de su propia existencia: la expoliación de la naturaleza y la explotación del trabajo social, por una pequeña parte de la humanidad.[17]
Em conclusão, algo precisa ser questionado em torno da atuação do novo sujeito revolucionário. Desta forma, se colocam questões de cunho teórico e prático, como: Por onde começar? Como se articulam as diferentes lutas locais e nacionais em torno do sujeito revolucionário de alcance mundial? Como se vai resolver as tensões entre a estratégia de longo prazo e as necessidades políticas de curto prazo? E, por fim,
¿Cómo sortear la polaridad entre la necesidad inmediata de democratizar las actuales fuerzas productivas/destructivas y la necesidad de más largo plazo de transformar o desarrollar nuevas fuerzas genuinamente productivas, de carácter sustentable, que den soporte a la buena vida, de la presente y las futuras generaciones?[18]
HUMANIZAÇÃO
A distinção de Marx entre transformação de valor e transformação de matéria e energia, ou seja, interação metabólica homem-natureza, leva-o ao conceito de humanização, que foi bastante mal entendido por alguns. Diz então Altvater (2005)
Marx funda la categoría «carácter dual del trabajo» como categoría “decisiva para la comprensión de la economia política”;16 desde ahí, crea la posibilidad para compreender los procesos económicos, al mismo tiempo, como transformación de valor (es decir, como formación del valor y valorización) y como transformación de materia y energía (esto es, como proceso de trabajo o “interacción metabólica” hombre/naturaleza)[19]
Alfred Schmidt (1962) em Conceito de natureza em Marx sem pretensão nenhuma em colocar em sua discussão a ecologia como ponto central, refere ao conceito de humanização, que se segue da interação metabólica em Marx como ingênua. Diz então, Altvater (2005):
Las reflexiones de Alfred Schmidt en torno al “concepto de naturaliza en Marx” –que se publicaron hace algunas décadas– muestran los límites de un análisis de la “interacción metabólica” del hombre (práxis humana) y la naturaliza en el que una ingenua humanización de la naturaleza sustituye una seria consideración de sus princípios ordenadores.[20]
E, segue dizendo:
Hoy sabemos que la “humanización de la naturaleza”, que se realiza mediante la “interacción metabólica” hombre/naturaleza, puede tener el efecto inverso de destruir las condiciones naturales de la vida humana. Del mismo modo que la “naturalización del hombre”, puede realmente evidenciar un proceso de industrialización en el que la ingeniería genética, dentro de los límites de sus posibilidades, introduce la producción de hombres como artefacto técnico, es decir, del hombre como materia prima y pieza de repuesto, una cosa carente de toda dignidad.[21]
Em contraposição encontramos em Marx uma dialética que por muitos foi mal entendida, em muitos assuntos, e que não foi diferente quando se tratou de questões ecológicas: “Ao atuar, por meio desse movimento, sobre a Natureza externa a ele e ao modifica-la, ele modifica, ao mesmo tempo, sua própria natureza.” E ainda, é notável a ligação de Schimidt a primeira fase do marxismo, ou seja, ao stalinismo-leninismo onde as criticas rondavam em torno de uma visão antropocêntrica- romântica do jovem Marx e de um reducionismo econômico. O conceito de humanização, em se tratando da questão ecológica, não pode ser vista sobre o viés de um antropocentrismo, mas sim sob o prisma da vida humana como espécie. E, também, o conceito de humanização deve ser entendido em um horizonte mais amplo, e não reduzido a uma dimensão só, como por exemplo, a econômica. Diz Marx (1968), citado por Altvater (2005):
El trabajo, entonces, como creador de valores de uso, como trabajo útil, es una condición de la existencia humana independiente de todas las formas de sociedad; es una necesidad natural eterna que media el metabolismo entre el hombre y la naturaleza, y, por consiguiente, la vida humana misma… Cuando el hombre entra em la producción, sólo puede proceder como la naturaleza lo hace consigo misma: sólo puede cambiar la forma de la materia[22]
Visto da perspectiva das questões ecológicas, que nunca foi o que Alfred Schmidt (1962) pretendeu, “manter a vida humana” era o interesse maior de Marx, mesmo que se tivesse que continuar efetivando o intercâmbio material entre o homem e a natureza. Por fim, poderíamos perguntar se houve um entendimento entre valor de uso e valor de troca, por parte de Alfred Schmidt (1962). Em meio a oposição ecologia/economia há muitos que dão preferência a economia sobre a ecologia (como defende Altvater em 2005). Em conclusão, pergunta-se: o que era mais importante para Marx: a vida humana ou apenas a troca do modo de produção capitalista? Por que o modo de produção capitalista deveria acabar ou ser substituído? A troco de que colocar ou defender um outro modo de produção que não viesse a favorecer ou melhorar a vida humana (humanização, propriamente dita!)?
O CONCEITO DE COOPERAÇÃO
O conceito de cooperação em Marx, especialmente em O Capital, é descrito como a “forma de trabalho em que muitos trabalham juntos, de acordo com um plano, no mesmo processo de produção ou em processos de produção diferentes, mas conexos.”[23]. Na verdade, se trata de como o capitalista pode tirar proveito do trabalho conjunto com a finalidade de aumentar os seus lucros. Diz Marx (1968): “Não se trata aqui da elevação da força produtiva individual através da cooperação, mas da criação de uma força produtiva nova, a saber a força coletiva”[24] Neste sentido, o capitalista descobre que: “podem os trabalhos individuais representar, como partes do trabalho total, diferentes fases do processo de trabalho, percorridas mais rapidamente pelo objeto de trabalho em virtude da cooperação.”[25] No início, os trabalhadores assalariados não trabalham para si mesmos, mas para o capitalista. De maneira formal, o capitalista comanda o capital. Mas, com a cooperação de muitos trabalhadores assalariados, o capital torna-se necessário para a produção no processo de trabalho. Portanto, o capitalista passa para o campo da produção, assim como o general é necessário no campo de batalha, ou o maestro em uma orquestra. Diz Marx (1968): “Essa função de dirigir, superintender e mediar assume-a o capital logo que o trabalho a ele subordinado se torna cooperativo.”[26] A cooperação, tal como foi definida, se perde na medida em que, com a origem da manufatura vem juntamente empacotado a divisão do trabalho. Isso desemboca na era das grandes indústrias ou indústria moderna. Diz Marx (1968), novamente:
“Esse processo de dissociação começa com a cooperação simples em que o capitalista representa diante do trabalhador isolado a unidade e a vontade do trabalhador coletivo. Esse processo desenvolve-se na manufatura, que mutila o trabalhador, reduzindo-o a uma fração de si mesmo, e completa-se na indústria moderna, que faz da ciência uma força produtiva independente de trabalho, recrutando-a para servir ao capital”.[27]
NOVA ADAPTAÇÃO OU FIM DO MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA?
O que seria melhor para a crise ecológica-ambiental: permitir uma nova adaptação do modo de produção capitalista ou pleitear o fim do capitalismo como modo de produção?
Por isso eu digo: o capitalismo chega ao fim, como o conhecemos até aqui, ou seja, baseando sua reprodução em uma matriz energética fóssil. Mas, no futuro, temos de criar um novo capitalismo, ou pós-capitalismo, e isso é a tarefa das novas gerações, dos movimentos sociais e políticos[28]
Essa é a afirmativa do Professor Elmar Altvater (2012). Salvar o capitalismo de suas aventuras não é algo novo entre os intelectuais liberais e neoliberais. Todos eles trazem uma receita na manga do casaco. Não conhecem a realidade latino-americana, e tem uma concepção eurocêntrica de desenvolvimento econômico e político. Pertencem a classe dominante e desconhecem a realidade do trabalhador da américa do sul e central onde ditaduras se estabeleceram por longos 30 anos, e desembocaram hoje (2023) em acontecimentos ainda piores. A crise ambiental aprofundou a crise do capitalismo. Isso forçosamente a classe dominante teve que reconhecer em meio da situação que se formou a partir de 2008 com a crise do sistema financeiro em que o mercado das bolsas de valores do mundo inteiro estremeceram.
[1]https://elastica.abril.com.br/especiais/ditadura-brasil-meio-ambiente-destruicao-indigena/
[2] https://repositorio.flacsoandes.edu.ec/bitstream/10469/12181/1/REXTN-ED98-11-Ruiz.pdf p.5
[3] https://repositorio.flacsoandes.edu.ec/bitstream/10469/12181/1/REXTN-ED98-11-Ruiz.pdf p.5
[4] MARX, Karl. O Capital.
[5] https://repositorio.flacsoandes.edu.ec/bitstream/10469/12181/1/REXTN-ED98-11-Ruiz.pdf
[6] Idem ao anterior.
[7] Idem ao anterior.
[8] Idem ao anterior.
[9] Idem ao anterior.
[10] https://repositorio.flacsoandes.edu.ec/bitstream/10469/12181/1/REXTN-ED98-11-Ruiz.pdf p.146
[11] https://repositorio.flacsoandes.edu.ec/bitstream/10469/12181/1/REXTN-ED98-11-Ruiz.pdf p.150
[12] Idem ao anterior. p. 151
[13] Idem ao anterior. p. 150
[14] https://repositorio.flacsoandes.edu.ec/bitstream/10469/12181/1/REXTN-ED98-11-Ruiz.pdf p.150-151 Veraza (2012) citado por Acosta.
[15] https://repositorio.flacsoandes.edu.ec/bitstream/10469/12181/1/REXTN-ED98-11-Ruiz.pdf p. 151
[16] https://repositorio.flacsoandes.edu.ec/bitstream/10469/12181/1/REXTN-ED98-11-Ruiz.pdf p.151
[17] https://repositorio.flacsoandes.edu.ec/bitstream/10469/12181/1/REXTN-ED98-11-Ruiz.pdf p. 153
[18] https://repositorio.flacsoandes.edu.ec/bitstream/10469/12181/1/REXTN-ED98-11-Ruiz.pdf p.154
[19] https://repositorio.flacsoandes.edu.ec/bitstream/10469/7415/1/REXTN-MS01-01-Altvater.pdf p.14
[20] Idem ao anterior. p. 14
[21] Idem ao anterior. p. 14
[22] MARX, Karl. O Capital, Libro I, p. 50. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.
[23] MARX, Karl. O Capital, Livro I, p. 374. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.
[24] Idem ao anterior. p. 374-5.
[25] Idem ao anterior. p. 375.
[26] Idem ao anterior. p. 380.
[27] Idem ao anterior. p. 413-14.
[28] CRISES, ALTERNATIVAS E AS PERSPECTIVAS DO MARXISMO ECOLÓGICO: entrevista com o Professor Elmar Altvater com Joana Emmerick Seabra, Julian Araujo Brito e Tadzio Peters Coelho. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/intratextos/article/view/4575