As inovações tecnológicas e as teorias sociais
Sônia Rosane Netz[1]
Até onde vai a criatividade humana? Esta pergunta pode ser tomada no seu sentido “otimista”, de admiração pelo poder criador da humanidade e na capacidade ilimitada de produzir novas tecnologias. Ou, em seu sentido “pessimista”, pode ser um questionamento crítico sobre os limites das inovações.
A capacidade criadora não é algo recente, na medida em que o homem passou a produzir instrumentos que o auxiliaram em sua vida diária, para caçar, plantar, etc., já estava produzindo tecnologia. Sempre representa um acúmulo de conhecimento materializado em um objeto ou na forma inovadora de realizar uma tarefa.
As teorias sociais, mesmo antes das atuais novas tecnologias da informação, já apresentavam análises sobre as implicações do desenvolvimento técnico. Podemos destacar: Na obra de Marx, onde este estuda a maquinaria. Na obra de Weber, onde este refere-se a burocracia. Na Escola de Frankfurt, onde esta refere-se a análise da sociedade tecnológica contemporânea. E, também, em Foucault em seu estudo sobre a vigilância.
Desta forma, pretendemos utilizar autores que nem sempre falaram especificamente sobre a tecnologia para abordar as diferentes faces deste fenômeno. A sua influência sobre o aumento da produção, racionalização do trabalho. A sua característica de dominação graças ao saber. O seu grande impacto na vida diária e a paralela falta de teorias críticas a seu respeito. A sua característica de ser quase onipresente, de permitir que os indivíduos que vivem em um ambiente tecnológico sintam-se permanentemente vigiados.
Também, podemos relacionar tecnologia com o conceito de novas tecnologias da informação (NTI). Na obra de Castels (1999) intitulada “Sociedade em Rede: A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura” são definidas as novas tecnologias da informação como o conjunto de tecnologias que vão da microeletrônica, da computação do software até o hardware (dos programas e das máquinas). Além das tecnologias de telecomunicações.
Estudaremos as inovações tecnológicas a partir da revolução industrial. Nos períodos mais recentes, a partir dos computadores, as inovações tecnológicas também podem ser denominadas de novas tecnologias da informação (NTI). Apesar de utilizarmos as definições de Castells sobre NTI, não temos a mesma perspectiva deste, este distancia-se bastante dos clássicos, vendo na sociedade em rede uma dimensão bastante diferenciada da que pretende ser tratada aqui. Diríamos que sua visão é bastante otimista das potencialidades da sociedade em rede.
Em Marx, a tecnologia ou as inovações tecnológicas são mostradas como forma de aumento da produtividade do trabalho. Encontramos alguma referência sobre tecnologia e inovações tecnológicas quando este estuda a cooperação, a maquinaria e a grande indústria. Seu enfoque não é isolar os impactos das inovações tecnológicas. O termo inovação certamente é muito mais atual. Marx analisa as contradições do capitalismo, dentre as muitas analisadas, está a forma como se processou o controle de um certo número de operários por um capital individual.
Em “O Capital” Marx (1985) descreve os trabalhadores que foram reunidos sob o controle de uma capital individual. Cada trabalhador executa, em conjunto com outros trabalhadores, uma determinada atividade mediante processos que se diferenciam e se complementam. Pela cooperação de muitos trabalhadores, o trabalho torna-se muito mais produtivo do que se fosse executado por um único trabalhador individual.
A cooperação simples aparece na manufatura, inicialmente foi feita mediante diferentes ofícios autônomos unidos, cada artífice produziria a mercadoria por inteiro. Mas, as operações realizadas por um único artífice são divididas em operações parciais para serem efetuadas por diversos artífices, mediante o trabalho cooperado.
O artesão, antes da manufatura, mostrava-se virtuoso por efetuar o trabalho por inteiro. O trabalho coletivo apresenta a virtuosidade na combinação de diversos trabalhos tanto qualificados quanto simples. Na manufatura as forças produtivas individuais ficam empobrecidas para que o trabalho coletivo enriqueça.
A submissão dos trabalhadores nem sempre era fácil. O trabalhador qualificado, no comando do processo de produção, ainda tinha muita importância na manufatura. Assim os capitalistas tinham dificuldade de manter a disciplina.
Quando as máquinas entram em cena, as insubordinações tornam-se menos freqüentes pois distanciam o trabalhador de seu trabalho. Não é mais a atividade artesanal que regula a produção mas são as máquinas.
As máquinas aumentam a produtividade do trabalho já melhorada pela cooperação simples. A combinação de diferentes máquinas torna possível a execução de operações que antes estavam limitadas a quantidade de membros do corpo humano.
O capitalismo, conforme Marx, transforma a máquina no instrumento de produção de maior quantidade de trabalho no mesmo período de tempo. As máquinas eram rápidas, podendo ser cada vez mais velozes. E, também, várias máquinas poderiam ser cuidadas pelo mesmo trabalhador.
As máquinas que são o meio de trabalho acabam concorrendo com o trabalhador. O capital se valoriza mediante a utilização da maquinaria.
Seguindo a análise de Marx encontramos a obra de Braverman (1987) “Trabalho e Capital Monopolista”. Nesta obra é analisado o papel da gerência científica como instrumento de diminuição ainda maior das insubordinações. A gerência científica, conforme descrição de Braverman, referindo-se a pesquisa de Taylor, deveria estudar minuciosamente cada atividade em seus pormenores, o parcelamento de cada movimento, reunindo o conhecimento tradicional de cada trabalhador e elaborando manuais de procedimento. Inverter-se-ia o fluxo, não sendo mais o trabalhador que teria conhecimento sobre o seu trabalho, mas o gerente, que seria o cérebro da empresa, diria quais as tarefas que o trabalhador deveria fazer.
Com a gerência científica combina-se a produtividade que a maquinaria já desenvolvia, desde os tempos de Marx, com o controle do conhecimento sobre o processo de trabalho. A gerência faria a pesquisa da forma mais eficiente na realização de determinada tarefa, determinaria a velocidade do trabalho e fixaria metas de produção. O taylorismo é muito mais uma forma de desenvolvimento dos métodos de organização do trabalho, não sendo necessariamente uma evolução tecnológica no seu aspecto material, em termos de introdução de novas e melhores máquinas. Muitas máquinas já haviam surgindo e continuavam a se desenvolver desde os tempos de Marx. Mesmo na cooperação já existiam, mas a organização do trabalho mediante a gerência científica é uma inovação do taylorismo.
Neste sentido podemos voltar com nossa afirmação de que a tecnologia sempre representa um acúmulo de conhecimento materializado em um objeto ou na forma inovadora de realizar uma tarefa.
O acúmulo de conhecimentos, a realização inovadora das tarefas, possibilita o aumento da produção e a racionalização do trabalho.
Aumento da produção e racionalização do trabalho, por si só não podem ser tomados como elementos negativos. O problema é que o controle das inovações tecnológicas está na mão de poucos. E quanto mais se racionaliza, se transformam instruções em programas, se processam estes programas sem a intervenção humana, mais o controle vai sendo restrito a poucos.
A linha de montagem precisava de operários, o trabalho cooperado na grande indústria, também, mas não podemos dizer o mesmo das modernas fábricas automatizadas.
O conhecimento dos trabalhadores que foi sistematizado nos manuais, e depois nos programas de computador, já não mais pertence a eles. Não existe nenhum direito adquirido ou hereditariedade frente ao conhecimento dos trabalhadores.
Essa é uma das faces de interesse sociológico no estudo dos impactos das inovações tecnológicas ou, pura e simplesmente da tecnologia.
Outro aspecto de análise é o da aceitação do saber como critério de dominação. No caso do saber tecnológico e científico como um dos mais desenvolvidas formas de conhecimento. Para isso analisamos a obra de Weber.
Na obra de Weber (1996), entre muitas importantes contribuições intelectuais, encontramos a definição de tipos de dominação. A dominação para Weber, é a probabilidade de se obter a obediência para um determinado mandato. A dominação pode ser o resultado do costume ou do afeto, mas nestes casos ela é bastante instável. Quando dominantes e dominados se relacionam, existem bases jurídicas para fundar estas relações. Weber estabelece três formas puras que seriam as bases da legitimidade da dominação. São estas a dominação legal, a tradicional e a carismática.
O nosso interesse de estudo está na dominação legal, esta assume-se como tendo um caráter racional. Baseia-se na crença da legitimidade das ordens e dois direitos de mando para aqueles que são chamados por estas ordenações para exercer a autoridade legal. A forma mais representativa da dominação legal é a administração burocrática, esta se baseia na dominação graças ao saber.
Qual seria a relação entre tecnologia, inovações tecnológicas e dominação burocrática? No senso comum existe uma oposição bastante freqüente entre burocracia e tecnologia. Aproximar o estudo de Weber sobre a burocracia de possíveis impactos da tecnologia poderia parecer uma relação bastante forçada.
Mas, como já foi analisado em Marx, nosso pressuposto é a existência de uma continuidade histórica. Da maquinaria, da linha de montagem, se passou para a fábrica automatizada. Também das estruturas burocráticas, outrora grandiosas, passou-se ao trabalho executado por computadores.
Conforme Weber (1982) a organização burocrática progrediria devido a sua superioridade técnica se relacionada a qualquer outra forma de organização. O mecanismo burocrático, se bem desenvolvido, pode ser comparado a outras maneiras de organização, assim como comparamos as máquinas com as formas não mecânicas de produção.
A organização mercantil capitalista, já na época de Weber, precisava que seus negócios fossem feitos de maneira precisa, de forma contínua e com a maior velocidade possível. A organização burocrática tinha que ser rigorosa. Quanto maior o rigor, maior a confiabilidade.
Atualmente, a confiabilidade passou para os sistemas eletrônicos de processamento de dados. O que anteriormente exigia uma enorme estrutura de funcionários com conhecimentos acumulados durante anos de exercício profissional hoje está, em grande parte, na memória, nos programas, nos bancos de dados, dos computadores.
Mais uma vez ocorreu o controle sobre o processo de trabalho, agora não mais mediante o conhecimento das rotinas burocráticas, mas pelos modernos sistemas informatizados.
No caso do estudo de Weber, o interessante de analisar não é propriamente o controle sobre o processo de trabalho, que seria uma análise mais adequada para o estudo de Marx. Mas, a aceitação, por parte das pessoas envolvidas: dominantes e dominados, do saber como critério de dominação.
Não se trata da dominação decorrente de uma revelação divina, ou de acordo com preceitos tradicionais, mas daqueles que sabem mais. E, aqueles que sabem mais são principalmente os sistemas informatizados, as pessoas individualmente têm sua capacidade cognitiva muito menos valorizada do que os computadores.
Os estudos de Max Weber mostram sua importância se confrontados com os estudos sobre tecnologia, inovações tecnológicas e novas tecnologias da informação. Pois contemporaneamente a dominação é baseada no conhecimento técnico, principalmente mediante os conhecimentos em informática. Não somente nos conhecimentos, mas na crença da legitimidade destes. Os processos que ocorrem no meio digital são, por definição, legítimos e confiáveis.
As inovações tecnológicas, as novas tecnologias da informação, são tidas como as formas mais racionais e mais avançadas na realização de determinada tarefa. Não existe nenhum questionamento quanto as reais necessidades do desenvolvimento tecnológico. Ou da necessidade de serem discutidas formas de regulamentação nas relações entre indivíduos e tecnologia.
Mas, a aceitação quase que cega da dominação tecnológica apresenta algum estudo, atualmente? Na época de Weber não existiam sistemas informatizados. Seus questionamentos sobre a burocracia são tão interessantes que podemos fazem um paralelo com o que chamaríamos de uma dominação informacional.
Também poderíamos pensar qual seria a dinâmica de poder deste tipo de dominação. Tal como a burocrática, é bem mais difícil de ser questionada. Pois, a tradição a muito perdeu sua força como forma de dominação, o carisma corre o risco de perder-se quando aparece um novo líder.
Existe algum estudo sobre este tipo de dominação informacional? Historicamente podemos assinalar alguns estudos onde o tema tecnologia aparece em seu aspecto de dominação?
Podemos relacionar os estudos da Escola de Frankfurt. Esta inicia na década de 1920 dedicando-se ao estudo da teoria crítica da sociedade. Entre diversos aspectos estudados pela teoria critica da Escola de Frankfurt está a tecnologia. Eles analisam a ilustração que não ficaria restrita ao período conhecido como época das luzes, mas é o trajeto percorrido pela razão, que tenta racionalizar o mundo, e o transforma em algo manipulável, submetendo-o a dominação humana. A ilustração ficou paralisada prevalecendo a idéia de que o saber é mais técnico do que crítico. A razão tornou-se razão instrumental. Apresenta-se incapaz de ser o fundamento ou de discutir os objetivos ou finalidades que serviriam para orientar a vida dos homens (Reale, 1988).
A critica contra a razão instrumental foi feita no momento em que as inovações tecnológicas não apresentavam o desenvolvimento que apresentam hoje em dia. Representava muito mais uma projeção do que uma realidade.
E atualmente, qual seria a crítica que poderia ser feita? Nós não estamos mais sendo influenciados pelas inovações tecnológicas e pela instrumentalidade de sua aplicação?
Estes questionamentos remetem a uma outra perspectiva de análise, que seria a perspectiva do indivíduo frente a tecnologia. Como este se sente? Mediante a tecnologia o indivíduo percebe-se com sendo vigiado?
Este aspecto é interessante de ser analisado com a obra de Michel Foucault. A perspectiva de Foucault é bastante diferenciada das estudadas até aqui. Em seu livro Vigiar e punir (1975), principalmente na terceira parte, onde estuda a disciplina podemos fazer um paralelo entre suas descrições e o controle exercido pelas inovações tecnológicas e novas tecnologias da informação.
Para Foucault, na época clássica o corpo foi descoberto como objeto e alvo de poder. Ele poderia ser manipulado, modelado e treinado. O livro Homem-máquina de Le Metrie mostra a alma reduzida a uma forma materialista e uma teoria de adestramento. Nesta teoria a docilidade mostra o corpo que pode ser submetido, utilizado, transformado e aperfeiçoado.
No século XVIII os esquemas de docilidade apresentam novas técnicas diferenciadas quanto a escala, ao objeto e a modalidade. Em se tratando de escala, o controle passa a ser do corpo em massa, semelhante a uma peça mecânica, apresentando coerção sem folga nos movimentos, gestos, atitudes, rapidez. Na organização se dá o objeto do controle. A modalidade possibilita a coerção ininterrupta recaindo nos processos da atividade de forma mais intensa do que no seu resultado, valorizando ao máximo o tempo, o espaço e os movimentos.
Os métodos que permitem o controle detalhado das operações do corpo, impondo uma relação constante de docilidade-utilidade são chamados por Foucault de “disciplinas”. Muitos processos disciplinares já existiam nos conventos, nos exércitos, nas oficinas. Porém, nos séculos XVII e XVIII as disciplinas se tornaram fórmulas gerais de dominação.
A disciplina necessita de um lugar fechado em si mesmo. São colégios, quartéis e fábricas. Conforme Foucault, ao percorrer o corredor central da oficina é possível efetuar a vigilância tanto geral como individual. Pode-se verificar a presença, a qualidade do trabalho, comparar vários operários, classificar suas habilidades.
No ensino, também, a divisão em séries possibilitou o controle de cada indivíduo e o trabalho simultâneo de todos. Trouxe economia no tempo de aprendizagem, o espaço escolar também se torna uma máquina de ensinar, de hierarquizar e de recompensar.
Para Foucault a disciplina tem como pressuposto o dispositivo que induza os efeitos de poder pelo jogo do olhar. O aparelho disciplinar perfeito seria aquele em que um único olhar seria suficiente para que pudesse ser observado. A disciplina possibilita o funcionamento de um poder relacional que é auto sustentado pelo jogo sem interrupção de olhares calculados.
Junto com a disciplina vem a punição para aqueles que não a cumprem. Foucault descreve o Panóptico de Bentham. Este tinha como efeito induzir o detento a sensação de estar sendo observado permanentemente, assim o poder funciona de forma automática.
Seria uma construção com forma de anel, onde teria uma torre no centro. Esta torre teria janelas abertas para a parte interna do anel. A construção em forma de anel teria divisão em celas, cada uma com duas janelas, uma para o interior, correspondente as janelas da torre, e outra para o exterior. Isso faria com que a luz atravesse a cela. Com um vigia na torre central, e os condenados nas celas, seria possível perceber com o efeito da contraluz as silhuetas dos ocupantes das celas.
Segundo Foucault, existiriam dois extremos da disciplina: Existira a disciplina de uma instituição fechada, em bloco. E a disciplina do panoptismo, mecanismo, onde as coerções são sutis.
Quais seriam os paralelos entre o Panóptico e os modernos sistemas computadorizados? A tecnologia, atualmente a informática, não seria uma nova maneira de disciplinar o corpo? O controle feito pelo olhar é substituído pelo controle feito por máquinas e programas.
As novas tecnologias da informação seriam formas atuais de coerção e controle?
As escolas já estão bastante modificadas em relação às descrições de Foucault. As teorias educacionais já não aceitam o ensino como mero disciplinamento. Podem existir formas de coerção dissimuladas, porém, muito menos presentes, na educação tanto formal, quanto informal.
A coerção se espalha pela sociedade, principalmente nas atividades informatizadas. Ela se manifesta nas atividades executadas pelas pessoas na sua condição de consumidoras de serviços. A maneira de acessar serviços disponíveis em centrais via telefone, Internet, etc., mostra uma hierarquia de acessos e restrições. Os consumidores devem efetuar uma seqüência de operações previamente programadas, estes têm senhas que autorizam certas transações e outras não.
Os dados pessoais que trafegam na Internet têm um trajeto duvidoso. Podemos até fazer uma comparação com o Panóptico de Bentham, muitas pessoas podem conhecer, mas o indivíduo não sabe se realmente o conhecem. A sensação de ser permanentemente observado tanto pode ser uma sensação paranóica como uma realidade.
Depois destas análises podemos novamente nos perguntar: Até onde vai a criatividade humana? Somos os responsáveis pelo atual estágio de desenvolvimento tecnológico – perspectiva “otimista” – e ao mesmo tempo sofremos com certos problemas que este desenvolvimento traz – perspectiva “pessimista”.
Enquanto seres humanos nós possibilitamos, de alguma forma, o atual estágio de desenvolvimento tecnológico. Pelo trabalho de nossos ancestrais, pelo lucro obtido através de seu trabalho reinvestido em máquinas. Pelo saber fazer acumulado na forma de regras de procedimento, manuais e atualmente, programas de computador. A grande capacidade de desenvolver tecnologia nem sempre acompanha uma igual capacidade de distribuir seus benefícios. Tal como o capital monetário o capital tecnológico não é facial de ser distribuído. Seriam necessárias pesquisas no sentido de fundamentar políticas de distribuição e compensação.
A análise das diferentes faces da tecnologia, conforme apresentamos acima, mostra a importância de aprofundarmos estudos sobre este tema. A sociologia é um campo privilegiado neste sentido.
Tecnologia, inovações tecnológicas, novas tecnologias da informação, desdobram-se em muitas questões:
- O aumento da produtividade advindo das novas tecnologias da informação gera um crescente desemprego. O assim chamado desemprego tecnológico.
- A aceitação do saber, principalmente do saber tecnológico, como elemento de dominação dificulta o surgimento de possíveis formas de reação. O saber é algo cada vez mais concentrado nas mãos de poucos.
- Maior quantidade de estudos sobre impactos das inovações tecnológicas poderia possibilitar novas formas de regulamentação das relações entre indivíduos e tecnologia.
- Os indivíduos, os consumidores, os cidadãos, precisariam ter maior peso na hora de serem implementadas novas tecnologias. Estas, primeiramente, precisariam ser o acúmulo de conhecimento materializado em um objeto ou na forma inovadora de realizar uma tarefa que tem sua existência justificada pelos benefícios, pela melhora das condições de vida das pessoas e não como instrumentos de controle, vigilância e exclusão.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRAVERMAN, Harry. Trabalho e Capital Monopolista. A Degradação do Trabalho no Século XX. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987.
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede: A era da informação: Economia, Sociedade e Cultura, Volume I. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
CATTANI, Antonio David. Trabalho e Tecnologia: Dicionário Critico. Petrópolis-RJ/Porto Alegre: Vozes/Editora da Universidade UFRGS, 2000.
COHN, Gabriel. Max Weber. São Paulo: Editora Ática, 1986.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: história da violência nas prisões. Petrópolis-RJ: Vozes, 1977.
HARVEY, David. Condição Pós-Moderna: Uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. São Paulo: Loyola, 1999.
MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política. São Paulo: Nova Cultural, 1985 (Os Economistas: Marx Vol I)
REALE, Giovanni e ANTISERI, Dario. Historia del pensamiento filosófico y científico.Barcelona: Herder, 1988.
WEBER, Max. Economia y sociedad: Esbozo de sociología comprensiva. México: Fondo de Cultura Económica. 1996.
WEBER, Max. Ensaios de Sociologia. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.
[1] Mestre em Ciências Sociais Aplicadas – UNISINOS (2002)
Licenciada em Sociologia – UFRGS (1987)