O MAL-ESTAR NA ECOLOGIA

POR JOÃO BATISTA C. SIECZKOWSKI em 28/09/2024

            Falar de uma pessoa com mal-estar é muitas vezes referir a uma indisposição ou, melhor dizendo, a uma falta de vontade em fazer algo que deveria fazer para ajudar aos outros. Certa vez disse Freud (1930): “É impossível escapar à impressão de que os seres humanos geralmente empregam critérios equivocados, de que ambicionam poder, sucesso e riqueza para si mesmos e os admiram nos outros enquanto menosprezam os verdadeiros valores da vida” (FREUD, 2018, p.107). Isso tudo, porém, se complica quando consideramos o pensar e o agir dos seres humanos, acrescentaríamos aqui o sentir. Os seres humanos usam do seu pensar, agir e sentir para obter poder, sucesso e riqueza. Tudo não passa de ambição.

            O que fazem esses seres humanos que se recusam a aceitar a consequências de suas ações? A consequência de suas ações é uma ruptura metabólica entre os seres humanos e a natureza. Para entender esse tipo de mal-estar, vou ler em meio aos noticiários da internet e das redes sociais, o seguinte:

Incêndios devastam 88 milhões de hectares no Cerrado em 39 anos, diz estudo. Pesquisa revela que área queimada equivale a 43% de toda a extensão do bioma e supera o território de países como Chile e Turquia.

E continua relatando: 

Seca.A crise hídrica também afeta o Cerrado, agravada pelas mudanças climáticas e pela imprevisibilidade do regime de chuvas. Segundo o estudo, a área de superfície de água natural no bioma caiu 53% desde 1985, passando de 1,6 milhão para 696 mil hectares em 2023.Apesar do Cerrado ser fonte de nove das doze principais bacias hidrográficas do Brasil, apenas 37% de sua água está em áreas naturais, enquanto 51% são áreas de hidrelétricas.

Em uma outra reportagem mais local o alerta:

Ambientalistas denunciam zonas de mineração no Extremo Sul de Porto Alegre. Prefeitura é acusada de aprovar licenças em áreas protegidas sem a devida análise técnica e estudos de impacto ambiental.

O primeiro processo de mineração se refere a uma área situada no Morro das Quirinas que está muito próxima à unidade de conservação municipal Refúgio de Vida Silvestre São Pedro. Já o segundo se refere a uma área localizada no Morro da Extrema, conhecida pela sua boa preservação ambiental e que se encontra a apenas 6 km da Reserva Biológica do Lami José Lutzenberger.

Muito mais poderia ser relacionado aqui. Quem faz isso e outras destruições a mais? E, por que fazem isso? Há seres humanos que agem de acordo com as suas ambições poder e riqueza é o que desejam para serem “felizes”. Pelo poder subjuga os outros, quer dominar e ser reconhecido pelo seu poder. Quer ser adorado como se fosse um deus. E a riqueza, o dinheiro serve para comprar o outro para extrair vantagens. A riqueza compra todo aquele que resiste, pois acredita que cada um está à venda e tem um preço pela sua cabeça. Os valores da vida são a riqueza e o poder.

Mas, que indivíduo é esse? Talvez um político, fazendeiro, dono de terras, industriário, donos de fábrica, etc., que subjugam agricultores, pequenos proprietários, trabalhadores da indústria, do comércio, etc. Alguns sem conseguir resistir afundam na ilusão de algum dia ascender de posição social, outros resistem no tempo e no espaço, mas são vencidos ou morrem. Por fim, há aqueles que desesperanceiam, ou seja, perdem a esperança e podem até ser levados pelo suicídio. Uns destroem a natureza e quebram o metabolismo existente entre os seres humanos e a natureza. Fazem isso porque estão dominados pela raiva, pela ambição, pelo egoísmo. A sua ética é a ética do egoísmo. Outros nem mesmo entendem o que está acontecendo. Vivem na alienação e na expectativa de ser alguém algum dia. Também ambicionam poder e riqueza como seus donos, os donos de suas vidas e que vendem a ilusão da ascensão social. É dessa maneira que pensam, agem e sentem.

O mal-estar na ecologia está em seus atores, nos lugares que ocupam e nos tempos que podem impor e resistir em suas maneiras de pensar, agir e sentir. Os que procuram resistir projetam, ainda que tarde, uma maneira de restabelecer o equilíbrio natural quase que destruído totalmente. Oscilam entre ser tarde de mais e ainda ter tempo para re-agir. Lutam para apagar o incêndio, que pode tudo queimar, até mesmo a sua própria espécie. Se perguntados o porque de tanta luta, apenas olham revelando o segredo que está em seus corações: o segredo da vida, revivida. É o sentir. Eles sabem que as suas casas estão sendo destruídas para sempre. E, sobretudo a sua casa maior: a terra. Esse mal-estar na ecologia agrada uns e desespera outros.

Referências

ROSA,João.Disponível em: Incêndios devastam 88 milhões de hectares no Cerrado em 39 anos, diz estudo | CNN Brasil. 11/09/2024. Atualizado 11/09/2024.Acesso em: 29 de setembro de 2024.

FERREIRA, Yasmmin. Disponível em: Ambientalistas denunciam zonas de mineração no Extremo Sul de Porto Alegre – Sul 21. 16 de setembro de 2024. Acesso em: 29 de setembro de 2024.

FREUD, Sigmund. O Mal-Estar na Cultura. L&PM : Porto Alegre, 2018.

Deixe um comentário