O que é ambientalismo? Segundo Benton (1996), “A palavra ambientalismo adquiriu conotações mais específicas a partir da Segunda Guerra Mundial. Ambientalismo cobre todo um âmbito e movimentos sociais e políticos e de perspectivas de valor que partilham da preocupação em proteger ou melhorar a qualidade dos contextos rural, urbano, doméstico ou de trabalho da moderna vida social.” Portanto, o ambientalismo se identifica com movimentos sociais e políticos. Historicamente o ambientalismo ganhou força a partir de 1960. A preocupação não era tanto o uso dos recursos naturais, mas a tentativa de responder à questão: como salvar a humanidade e o planeta? Diz Pierro (2020), “A agenda ambiental saiu do nicho dos especialistas e ganhou mais visibilidade na sociedade na década de 1960. “Foi o momento em que o debate intelectual sobre conservação começou a se aproximar do movimento da contracultura”, observa a historiadora e ambientalista Samyra Crespo, pesquisadora sênior do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). “A discussão deixou de ser focada na promoção do uso racional de recursos naturais, abrindo espaço para reflexões sobre como salvar a humanidade e o planeta”, explica.” No Brasil, o ambientalismo teve impulso a partir de 1972 quando ocorreu a Conferência de Estocolmo. “Assim como em outros países, o ambientalismo no Brasil ganhou novo capítulo com a Conferência de Estocolmo, organizada em 1972 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Foi a primeira grande reunião de chefes de Estado para discutir a questão ambiental. Ao mesmo tempo, grande parte do campo político não levava muito a sério o ativismo ecológico.” Na época da ditadura militar no Brasil predominava uma visão desenvolvimentista que objetivava a industrialização do país. Se contrapôs a esse desenvolvimentismo o ecodesenvolvimento, como bem assinala Pierro (2020): “Prevalecia no Brasil a lógica desenvolvimentista da ditadura militar (1964-1985), que envolvia a construção de hidrelétricas e estradas em territórios indígenas. “A utopia era tornar o país altamente industrializado”, afirma Jacobi. A entrada dos ambientalistas nesse campo de disputa política se deu pelo chamado ecodesenvolvimento, que buscava conciliar desenvolvimento econômico com preservação. O conceito foi desenvolvido pelo economista Ignacy Sachs, da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, em Paris.” Ampliando a luta chega-se ao ambientalismo popular tendo como destaque o ativista Chico Mendes. Diz, então, Pierro (2020): “Paralelamente, distante dos centros urbanos e das universidades, ganhava força um ambientalismo mais popular, que mobilizava pescadores e seringueiros. “Eram trabalhadores que lutavam pela conservação do meio ambiente para defender melhores condições de vida”, explica Pádua. Um dos principais representantes desse movimento foi o sindicalista acreano Chico Mendes (1944-1988), que uniu seringueiros que dependiam da preservação da floresta amazônica para sobreviver. Mendes foi assassinado em razão de seu ativismo.” No Brasil o movimento ambientalismo se espalha de forma significativa com o surgimento da AGAPAN em 1971. “No Brasil, os ambientalistas começaram primeiramente a se organizar em grupos locais para ampliar o diálogo com setores empresariais e políticos. Um exemplo é a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, uma das primeiras comunidades ecológicas do país, criada em 1971. Um de seus fundadores foi o agrônomo José Lutzenberger (1926-2002), que contribuiu na formulação de leis para o controle do uso de agroquímicos no Rio Grande do Sul – o que teve reflexos na Lei Brasileira de Agrotóxicos, de 1989.” Ainda na década de 1970 surgem outras entidades (ONGS) que se envolvem com as questões ambientais: “Ainda na década de 1970, a preocupação com questões de segurança e o impacto ambiental da energia nuclear resultaram na mobilização de ambientalistas e cientistas. ONGs nacionais, como a SOS Mata Atlântica, começam a surgir nos anos 1980.” As questões climáticas, de mudanças climáticas só aparecem no cenário em 1990, com a Rio-92.

Há de se ressaltar ainda uma outra questão social importante que envolve, de um lado, os conservacionistas ambientais, de outro, os ambientalistas progressistas. Para os conservacionistas ambientais, o ambientalismo era entendido como uma tentativa de proteger tanto um estilo de vida privilegiado quanto um conjunto de valores culturais elitistas. Por outro lado, para o ambientalismo progressista, desde o século XIX, denunciava a degradação ambiental das áreas residenciais da classe operária: poluição ambiental, pobreza, falta de saúde etc. com o objetivo de lutar por abordagens ambientalmente informadas à arquitetura e ao planejamento urbano. Nos anos de 1960, a discussão girou sobre dois eixos principais: (a) a integração da ecologia científica ao pensamento social e político; (b) o reconhecimento do impacto global da atividade econômica e social humana como ameaça à sobrevivência. Houve uma mudança no entendimento do que era ambientalismo nos anos de 1970. Segundo Benton (1996), “o ambientalismo passara a significar não apenas preocupação com a perda das cercas vivas ou da tranquilidade rural, mas um pânico generalizado diante da perspectiva da aniquilação global.” As questões ambientais aumentaram em número e intensidade o que fez o ambientalismo se organizar para a luta e resistência a partir da década de 1970. Então, como força social organizada, o ambientalismo assumiu três formas principais: (a) a de tendências ou grupos de pressão pugnando por reformas ambientais dentro de um ou outro dos partidos políticos dominantes; (b) a de partidos políticos por sua própria conta, dando um papel fundamental à regulamentação e preservação ambiental através de todo o âmbito das questões políticas; (c) e como grupos de pressão não alinhados politicamente. Esses últimos concentram suas ações (a) para despertar consciências e mobilizar oposição aos abusos ambientais; (b) alguns buscando posições “privilegiadas” como conselheiros abalizados e “especialistas” em processos de planejamento oficial; (c) outros tentando impor uma perspectiva ambientalista a todo espectro da atividade política; (d) alguns concentrando-se em “questões isoladas”. Dessa forma, é preciso notar a atuação do ambientalismo na política, seja municipal, estadual ou nacional. Há de e ressaltar as condições dessa presença na política: (a) uma série de desastres naturais específicos extremamente conspícuos, ao lado de uma crescente compreensão ambientalista de desastres “naturais” tais como a fome e inundações ligadas à desertificação e ao desmatamento; (b) o efeito sore a qualidade de vida, sentido por setores influentes, cultos e articulados da população nas sociedades ocidentais, etc.; (c) indícios cada vez mais divulgados de impactos ambientais globais da atividade humana presente ou previsível – o “inverno nuclear”, o buraco de ozônio, o aquecimento global e a chuva ácida. Atualmente, os ambientalistas se preocupam em regulamentar a atividade humana com ênfase nas condições biofísicas.
REFERÊNCIAS
OUTHWAITE, William; BOTTOMORE, Tom & outros. Dicionário do Pensamento Social do Século XX. Rio de Janeiro: Zahar, 1996. PIERRO, Bruno de. Raízes do ambientalismo. 2020. Disponível em: Raízes do ambientalismo: Revista Pesquisa Fapesp